Do Poder ao Propósito
Tema: Motivacional
Base: Isaías 6.1–8 '''1 No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo.
2 Serafins estavam por cima dele. Cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os pés e com duas voava.
3 E clamavam uns para os outros, dizendo: “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.”
4 Os umbrais das portas se moveram com a voz do que clamava, e o templo se encheu de fumaça.
5 Então eu disse: — Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de lábios impuros; e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!
6 Então um dos serafins voou para mim, trazendo na mão uma brasa viva, que havia tirado do altar com uma pinça.
7 Com a brasa tocou a minha boca e disse: — Eis que esta brasa tocou os seus lábios. A sua iniquidade foi tirada, e o seu pecado, perdoado.
8 Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: — A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Eu respondi: — Eis-me aqui, envia-me a mim. '
Introdução
- Hoje eu quero falar sobre um processo que todos nós enfrentamos em algum momento da caminhada com Deus.
O título da mensagem é Do Poder ao Propósito.
E o tema central é: Quando Uzias Morre, Isaías Nasce.
Deus tem um novo tempo para cada um de nós.
- Muitas vezes, quando olhamos para o presente e vemos as dificuldades que enfrentamos, temos a sensação de que a fase difícil nunca vai passar. Mas tudo passa.
- O tempo humano é passageiro.
- O tempo de Deus é permanente e eterno.
O profeta Isaías viveu um desses momentos críticos.
- Ele tinha parentesco com o rei Uzias, também chamado Azarias (2Rs 14.21; 15.1).
- O Talmude diz que ele era primo de Uzias. Explica sua familiaridade com politica e governo, sua formação e linguagem refinada
- Uzias começou bem: foi ungido rei aos 16 anos e prosperou debaixo da bênção de Deus.
- Contudo, exaltado em seu coração, ultrapassou os limites e queimou incenso no templo — algo reservado exclusivamente aos sacerdotes (2Cr 26.16–21).
- Não foi um erro ritual simples. Foi usurpação de autoridade espiritual.
- O resultado foi lepra, afastamento e morte.
A morte de Uzias trouxe decadência, insegurança e crise nacional.
- Ele caiu e permaneceu vivo em afastamento.
- O ano da morte do rei Uzias foi um tempo muito difícil.
- Mas foi exatamente nesse ano que Isaías entrou no templo, viu a glória de Deus, foi transformado e enviado.
O fim de um tempo pode ser o começo de outro.
O colapso de uma referência humana pode abrir espaço para uma revelação divina.
Como nos preparamos para o tempo do avivamento?
Se este é o ano do avivamento, a pergunta não é apenas quando Deus vai agir,
mas como Ele nos encontra quando decide agir.
A Bíblia mostra que todo avivamento genuíno começa com pessoas preparadas por Deus,
não apenas empolgadas com Deus.
Vamos aprender com Isaías como Deus prepara um coração para viver um novo tempo.
1. Ver Deus – o início de todo avivamento
Isaías descobre que o tempo de crise não era apenas um tempo de perda, mas um tempo de revelação.
a) Entrar no templo (v.1)
No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo.
Diante do caos social e espiritual, Isaías não foge.
Ele entra no templo.
O templo era o lugar certo para recomeçar.
- Hoje, a Palavra nos lembra que somos o templo do Espírito Santo (1Co 3.16).
- Buscar a Deus de todo o coração continua sendo o caminho para atravessar tempos difíceis.
Entrar no templo é mais do que mudar de ambiente.
É mudar de postura.
b) Adorar a Deus (vv.2–3)
Serafins estavam por cima dele. Cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os pés e com duas voava. E clamavam uns para os outros, dizendo:
“Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.”
Isaías vê os serafins adorando.
O louvor não é apenas expressão emocional.
- É alinhamento espiritual.
- Quando adoramos em espírito e em verdade (Jo 4.24), somos reposicionados diante de Deus.
Deus não precisa do nosso louvor.
Mas nós precisamos louvar a Deus:
- O louvor não muda Deus.
- O louvor nos reposiciona.
- Ele nos lembra quem Deus é
- e quem nós não somos.
c) Ver o agir de Deus (v.4)
Os umbrais das portas se moveram com a voz do que clamava, e o templo se encheu de fumaça.
A glória do Senhor enche o templo.
- Isaías não tenta fazer nada. Ele contempla.
- Isaías não teve uma visão para se sentir melhor, mas para ver Deus como Ele é.
- A visão da santidade é reveladora.
Aprendemos aqui que depender de Deus é mais poderoso do que tentar controlar tudo.
- Como Moisés disse ao povo:
- “O Senhor pelejará por vós” (Êx 14.13).
Aquele tempo caótico se tornou o momento em que Isaías viu a glória de Deus.
Este também pode ser o nosso tempo de ver a glória do Senhor (Is 43.13c) “Agindo Eu quem impedirá?”.
A GLÓRIA REVELA O QUE HÁ DENTRO
a glória de Deus não destrói ninguém.
O que destrói é o orgulho diante da glória.
- Uzias e Isaías estiveram próximos do mesmo altar.
- Mas reagiram de maneiras completamente diferentes.
- Uzias se aproximou com senso de poder.
- Isaías se aproximou com temor.
essas duas posturas podem existir dentro de nós.
Às vezes, uma pessoa ama a Deus, serve a Deus, mas começa a viver a fé no modo Uzias:
- controlando tudo
- sustentando tudo pela força
- sem descanso
- com culpa silenciosa
- confundindo função com identidade
Essa pessoa não se afastou de Deus.
Mas perdeu a leveza.
A glória não corrompe.
Ela revela o coração.
2. Ser tratado por Deus – a sustentação do avivamento (vv.5–7)
Diante da glória, Isaías olha para si mesmo.
Antes de qualquer mudança externa, Deus começa uma obra interior.
“O que vem à mente quando pensamos em Deus é a coisa mais importante sobre nós.” - A. W. Tozer
a) Arrependimento (v.5)
“Ai de mim…”
Quando Isaías vê o Senhor “alto e exaltado”, todas as ilusões humanas entram em colapso.
- O “Ai de mim” nasce quando a alma percebe que não pode coexistir com Deus mantendo orgulho.
Ninguém pode ver Deus como Ele é e sair igual - Isso é realidade espiritual.
- Nos tempos difíceis, temos a tendência de culpar os outros, mas o arrependimento bíblico nos leva a assumir nossa responsabilidade diante de Deus.
- Não é o pecado que mais afasta o homem de Deus,
- mas a tentativa de permanecer grande diante de um Deus santo.
Reconhecer não é se destruir.
É abrir espaço para a graça.
b) Fogo do Espírito (v.6, 7a)
Então um dos serafins voou para mim, trazendo na mão uma brasa viva, que havia tirado do altar com uma pinça. Com a brasa tocou a minha boca e disse:
— Eis que esta brasa tocou os seus lábios.
Um serafim toca os lábios de Isaías com uma brasa do altar.
Os lábios representam:
- palavras
- votos
- confissões
- silêncios
O fogo do Espírito não destrói.
Ele purifica e capacita.
Deus toca exatamente onde precisa curar.
c) Perdão (v.7b)
A sua iniquidade foi tirada, e o seu pecado, perdoado.
A culpa prende.
O perdão liberta.
Antes de Deus mudar as circunstâncias, Ele muda o coração.
Este é um tempo de transformação.
3. Ser enviado por Deus – a continuidade do avivamento (v.8)
Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia:
— A quem enviarei, e quem há de ir por nós?
Eu respondi:
— Eis-me aqui, envia-me a mim.
A santificação acontece quando Isaías deixa de se definir:
- pelo que faz
- pelo que representa
- pelo que construiu
E passa a se definir pela graça.
Somente depois da transformação vem o chamado:
“A quem enviarei?”
a) Ouvir a voz do Senhor
Ninguém pode falar do que não ouviu.
Isaías ouve e se torna responsável por transmitir.
b) Ser conduzido por Deus
A partir daquele encontro, Isaías não governa mais a própria trajetória.
Ele passa a ser conduzido pelo Espírito (Jo 3.8) “O vento sopra onde quer, você ouve o barulho que ele faz, mas não sabe de onde ele vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito.”
c) Obedecer à vontade de Deus
Isaías reconhece a soberania de Deus e responde:
“Eis-me aqui, envia-me a mim.”
Não por pressão.
Mas por restauração e convicção de quem o chamava.
CONCLUSÃO – DO PODER AO PROPÓSITO
O paralelo bíblico é claro:
- Uzias entrou no lugar errado → foi ferido
- Isaías entrou na presença certa → foi quebrantado
- Uzias se aproximou sem submissão → caiu
- Isaías se aproximou com temor → foi enviado
Uzias representa uma visão baixa de Deus e inflada de si.
Isaías representa uma visão alta de Deus e esvaziada de si.
“No ano da morte do rei Uzias…”
Não é apenas um marcador cronológico.
É o fechamento de:
- um ciclo político
- um trauma espiritual
- uma referência humana
Isaías perde:
- o rei
- o parente
- o modelo
- a segurança
E então vê:
- o verdadeiro Rei
- que não adoece
- que não se afasta
- que não perde o trono
Enquanto Uzias estava:
- separado
- impuro
- afastado do templo
O Senhor estava:
- no trono
- exaltado
- santo
Isso explica por que Isaías começa dizendo:
“Vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono.”
É um contraste consciente.
Isaías não viu a glória por curiosidade espiritual.
Ele viu porque uma referência humana caiu.
Quando Uzias foi afastado do templo, Isaías descobriu quem nunca se afasta do trono.
Quando você não acreditar nem em você mesmo, conhecerá o Deus que te chama de Filho(a)
Enquanto Uzias governa, Isaías não responde.
A crise se tornou o começo.
- A situação que você está passando, sua crise, é o prenúncio do momento de colocar Deus acima de todas as coisas para governar sua vida
Deus deseja te avivar.
- Mas esse avivamento começa quando deixamos Uzias morrer dentro de nós
e permitimos que Isaías seja restaurado.
E é exatamente aqui que essa palavra deixa de ser apenas ensinamento
e se torna um convite do Espírito.
CTA – AVIVAMENTO QUE COMEÇA POR DENTRO
Antes de orarmos, eu quero alinhar essa mensagem com aquilo que estamos vivendo como igreja:
este é o ano do avivamento.
Mas a Bíblia nos ensina que
- Avivamento começa quando Deus encontra um coração rendido.
Isaías só foi enviado depois de ser tratado.
O fogo só tocou depois do arrependimento.
O “Eis-me aqui” só nasceu depois da cura.
Talvez hoje o Espírito Santo esteja te mostrando
que o avivamento que Deus quer fazer na igreja
precisa começar dentro de você.
Não com mais esforço,
mas com mais rendição.
Não com mais controle,
mas com mais dependência.
Talvez você não esteja longe de Deus.
Talvez esteja apenas cansado.
E o Senhor está dizendo:
- Deixa Uzias morrer.
Deixa Isaías nascer.
E então Eu vou soprar vida nova.
Por isso, o convite continua o mesmo hoje:
- não é para vir à frente.
não é para levantar a mão.
não é para se expor.
É para responder por dentro.
Se você deseja que o avivamento de Deus
comece no seu coração —
com cura, leveza e restauração —
então, quando formos orar,
ore com entrega.
Não prometa.
Não negocie.
Não tente sustentar.
Apenas se renda.
Porque o avivamento que transforma uma igreja
sempre começa com Deus restaurando pessoas.
Agora, vamos orar.
ORAÇÃO FINAL GUIADA
(Cura, rendição e chamado)
Eu quero convidar você agora a fechar seus olhos.
É um momento de entregar.
Senhor Deus,
entro na tua presença não porque sou forte,
mas porque preciso de Ti.
Reconheço que o teu tempo é perfeito
e que muitas vezes o Senhor permite o fim de um ciclo
para me conduzir a um lugar mais profundo.
Hoje me coloco diante do altar,
não para controlar,
não para negociar,
não para manter aparências,
mas para me render.
Pai, se em algum momento da minha caminhada
Uzias começou a governar dentro de mim,
te entrego isso agora.
Entrego a necessidade de controle.
Entrego o peso de sustentar tudo sozinho.
Entrego o cansaço espiritual que carrego em silêncio.
Entrego a culpa que não veio de Ti.
Entrego a confusão entre quem sou
e aquilo que faço.
Abros mão do governo que nunca me pertenceu.
Senhor, como Isaías, eu digo:
“Eis-me aqui diante da tua glória.”
Não quero apenas sentir algo.
Quero ver o Senhor como Ele é.
Que toda visão distorcida de Ti caia agora.
Que toda visão inflada de mim mesmo seja tratada.
Que a tua santidade me alinhe novamente contigo.
Pai, assim como o Senhor tocou os lábios de Isaías,
toca hoje as áreas da minha vida que precisa de cura.
Toca as palavras que falei na dor.
Toca os silêncios que carrego por anos.
Toca os votos internos feitos no medo.
Toca as culpas que me prenderam.
Eu creio que o teu fogo me
purifica,
liberta,
E restaura.
E pela autoridade da tua Palavra,
eu recebo o que o Senhor declarou a Isaías:
Que a culpa seja removida.
Que a acusação perca a voz.
Que a vergonha seja quebrada.
Que a identidade seja restaurada.
E se houver um chamado,
que ele venha do lugar da cura,
não da pressão.
Se houver envio,
que ele nasça da rendição,
não do medo.
Hoje eu digo:
“Eis-me aqui”,
não para provar valor,
mas porque fui restaurado.
Recebo o teu tempo.
Recebo a tua obra.
Recebo a tua direção.
Que Uzias permaneça morto
e que Isaías viva plenamente.
Entrego tudo a Ti
e descanso na tua graça.
Em nome de Jesus.
Amém.





